Posso trocar o plano de saúde empresarial familiar por um individual sem perder carência?
A portabilidade é uma alternativa possível para quem quer sair de um plano empresarial que, na prática, só cobre a família, mas ela não substitui a discussão sobre os valores já pagos a mais. Mesmo optando pela portabilidade, a orientação é buscar a restituição dos reajustes indevidos aplicados nos últimos anos.
Duas perguntas diferentes debaixo do mesmo problema
Quem percebe que está pagando um plano de saúde empresarial que, na prática, só cobre a família, costuma se deparar com duas perguntas distintas. A primeira é: “dá para trocar de plano sem cumprir novas carências?”. A segunda é: “dá para recuperar o que já foi pago a mais nos últimos anos?”. São perguntas relacionadas, mas que pedem respostas diferentes, e é importante não misturar as duas.
A primeira pergunta fala sobre o futuro da cobertura, isto é, qual plano você vai ter daqui para frente. A segunda fala sobre o passado, ou seja, os valores que já saíram do seu bolso por causa de reajustes que podem ser questionados. Entender essa diferença ajuda a tomar uma decisão mais clara sobre o falso coletivo no seu contrato.
O que é a portabilidade, em linhas gerais
A portabilidade é a possibilidade de migrar de um plano de saúde para outro, prevista pelas regras da ANS, sem a necessidade de cumprir novos períodos de carência, desde que sejam observadas as condições fixadas pela própria agência para esse tipo de troca. Na prática, ela permite que o titular saia de um plano empresarial e passe para um plano individual, familiar ou outro coletivo, buscando, por exemplo, melhores condições de atendimento ou de custo.
A portabilidade resolve a questão da cobertura futura, mas não resolve, por si só, os reajustes que já foram cobrados no contrato anterior.
Por que a portabilidade não substitui a ação de revisão
Trocar de plano pode ser uma boa decisão para quem não está satisfeito com o atendimento ou com a rede credenciada, mas ela não apaga os reajustes já pagos, muitas vezes acima do teto que a ANS define para os planos individuais e familiares. Se o plano anterior se enquadra no perfil de falso coletivo (um contrato empresarial que, na prática, só cobria a família), ainda existe a possibilidade de rever esses valores e pedir a devolução do que foi pago a maior, mesmo depois de o titular já ter migrado para outro plano.
Por isso, mesmo quem decide seguir pela portabilidade recebe a mesma orientação: buscar, no mínimo, a restituição dos valores pagos a maior nos últimos anos referentes ao contrato de origem.
A decisão final é sempre do titular
Não existe uma resposta pronta sobre qual caminho é “melhor”: portabilidade, ação de revisão, ou as duas coisas em conjunto. A decisão cabe ao titular do plano, e costuma levar em conta principalmente a satisfação com o serviço prestado pela operadora atual. Quem está satisfeito com o atendimento, mas incomodado apenas com os reajustes, pode preferir permanecer no plano e discutir apenas os valores cobrados. Quem já quer migrar de operadora, por outro lado, pode optar pela portabilidade, sem abrir mão de discutir o que já foi pago no contrato anterior.
Como as duas frentes podem andar juntas
Na prática, portabilidade e ação de revisão não são caminhos que se excluem. É possível:
- Buscar a portabilidade para migrar de plano, resolvendo a cobertura para o futuro.
- Ao mesmo tempo, reunir o contrato, os boletos e os comunicados de reajuste do plano anterior.
- Avaliar, com base nesses documentos, se o contrato de origem se enquadra no perfil de falso coletivo e se há reajuste por sinistralidade fora do padrão.
- Buscar orientação sobre a restituição dos valores pagos a maior, independentemente da decisão de trocar ou não de plano.
Para entender melhor as diferenças entre os modelos de contratação envolvidos nessa escolha, veja também os tipos de plano de saúde e suas diferenças.
Próximos passos
Se você está avaliando trocar de plano de saúde empresarial familiar por um individual, o primeiro passo é reunir a documentação do contrato atual, independentemente da decisão sobre a portabilidade. Esse material é o que permite avaliar se os reajustes recebidos ao longo dos anos podem ser questionados. Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui uma avaliação individual do seu caso.
Perguntas frequentes
Se eu optar pela portabilidade, ainda posso discutir os reajustes do plano antigo?
Sim. A orientação, mesmo para quem decide migrar de plano por portabilidade, é buscar a restituição dos valores pagos a maior nos últimos anos referentes ao contrato anterior. A troca de plano resolve a questão de qual cobertura você terá daqui para frente, mas não resolve, sozinha, o que já foi cobrado indevidamente no passado.
Vale mais a pena pedir portabilidade ou entrar com a ação de revisão?
Não existe uma resposta única. A decisão final é sempre do titular do plano, considerando principalmente a satisfação com o serviço prestado pela operadora atual. Independentemente dessa escolha, a orientação é buscar, no mínimo, a restituição dos valores pagos a maior nos últimos anos.
Avalie se o seu caso se enquadra
Se o seu plano é empresarial, mas na prática cobre só a sua família, vale entender melhor o seu contrato. Fale com o escritório e tire suas dúvidas, sem compromisso.
Falar com o escritórioConteúdo informativo. Cada caso é analisado individualmente, a partir dos documentos do contrato, e nenhum resultado é garantido.